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As tempestades de janeiro vistas do sótão…
E lá vai o mês de janeiro… Consegue ver? Apoie a mão direita sobre os olhos para fazer sombra. Aperte os olhos. Olhe firmemente ao longe. E então? Nada ainda? Talvez seja assim porque ainda reste algumas horas, minutos, segundos. O ponteiro ainda irá dar muitas voltas. Quando eu era criança costumava perguntar “ele não fica zonzo?” e o nono dava aquela “gargalhada balançante” (sua barriga grande chacoalhava quando ele ria”) e eu ria com ele durante alguns minutos, depois fazia bico por não ter uma resposta a minha altura (um metro e meio, eu acho). “risos”.
Janeiro trouxe muitas chuvas, mas escolheu sair de cena com o calor dos trópicos. São Paulo arde em demasia. Quase não saio de casa. O calor me deixa cansada e a disposição vai dar voltas na esquina.
Mas janeiro também trouxe a dona Borboleta até ao meu sótão. Brincamos de tecer cartas sem selo aos olhos uma da outra. Sem folhas, mas os sorrisos ficaram impressos na lembrança que se fez de papel para colher palavras novas e antigas. E essa gente letrada insiste com essa história de acordo ortográfico. Gente, perguntem a moça da Borboleta nos olhos – eu a interrompi várias vezes para saber o significado das suas palavras. Não há acordo que dê jeito nas regionalidades…
Janeiro também trouxe montanhas que as vezes se escondiam por entre nuvens esbranquiçadas, e as vezes se exibiam em um grito de dor “o homem está subindo a montanha”. O que antes era verde vida, agora é vermelho tijolo em boa parte. O que fazem eles por lá? Perguntou eu e a resposta fica feito um nó na garganta. Não me atrevo e como sei que uma hora a natureza se cansa: sei que eles escorregaram de lá com suas casas, suas histórias e suas vidas. E na certa, irão culpar alguém por isso, mas nunca a si mesmos.
A beleza do céu de Janeiro vista do sótão…
Enfim, janeiro trouxe poemas novos, alguns antigos, encontrados em baús que há tempos eu não mexia; algumas receitas com suas 04 colheres de manteiga pra derreter na panela, 01 xícara de leite misturado com uma colher de pau depois da manteiga fria. Meia lata de leite condensado, 04 colheres de chocolate em pó e 01 xícara de trigo. Tudo misturado lentamente. Sem pressa porque é fato, a pressa quase sempre nos atrapalha, ainda que a gente não acredite nisso. O segredo dessa receita está na forma como misturamos os ingredientes. Depois que o creme se forma, a mistura fica de lado, descansando – enquanto isso preparo a forma com manteiga e trigo e acendo o forno que deve ser pré-aquecido. De volta a massa, salpico um bom punhado amendoim torrado e moído e por fim acrescento uma colher de sobremesa de fermento em pó. Pronto. É só levar ao forno e enquanto espera assar, prepare a cobertura com 02 tabletes de chocolate ao leite derretido em banho Maria, uma lata de creme de leite sem soro e meia lata de condensado. Misture tudo enquanto o chocolate ainda estiver quente e depois e só espalhar por cima do brownie que quando estiver frio, deve ser cortado em pedaços. Eu gosto de dar banho de cobertura nos brownies pra que eles fiquem molhadinhos.
Janeiro está ficando para trás e o mais interessante, eu não percebo a urgências das horas. Eu disse que andava cansada de horas inteiras… Lembra-se? Aposto que se esqueceu. Tudo bem, eu não me importo. Agora eu vou lá pra fora deixar alguns brownies na janela e você vai ficar aí com a boca cheia de água contando as suas horas inteiras… Cuidado para não errar na conta ou o seu mês pode acabar tendo menos dias do que já tem…
Agora vou fechar as janelas!