Dois mil e onze foi um ano bem atípico, eu diria. Não tive a oportunidade de degustar todos os livros que estavam em minha estante, nem assistir à pilha de filmes que me aguardavam na sala de estar.
Talvez meus ouvidos tenham ficado gratos pela seleção de músicas escolhidas para atravessar os dias – mas, ainda assim, em minha mente, o pouco nunca satisfaz. Nada nunca é o bastante para quem tem a ansiedade como amuleto principal da rotina…
Porém, já quase ao final desses tempos, pude ser surpreendida por uma leitura e um filme que trouxeram de volta a pausa necessária aos meus pensamentos.
O livro que encantou meus olhos foi “Feliz por Nada”, da escritora e jornalista Martha Medeiros. Uma seleção de crônicas deliciosas que permearam a minha essência e reavivaram o sabor pelas letras…
“A vida não é um questionário de Proust. Você não precisa ter que responder ao mundo quais são suas qualidades, sua cor preferida, seu prato favorito, que bicho seria. Que mania de se autoconhecer. Chega de se autoconhecer. Você é o que é, um imperfeito bem-intencionado e que muda de opinião sem a menor culpa. Ser feliz por nada talvez seja isso.”
(Feliz por Nada – Martha Medeiros)
Recomendo os escritos de Martha pela leveza, por serem extremamente atuais e se encaixarem com precisão na roleta-russa que é a sociedade atual. Uma seleção de textos que realmente me movimentou!
Quanto ao filme que fez minha alma brilhar, certamente não poderia ser algo muito hollywoodiano… Nada contra esse estilo, mas ele tem me soado um tanto quanto cansativo! Dessa vez, preferi optar pelos franceses e me deparei lindamente com “Minhas Tardes com Margueritte”, em que atuam Gisèle Casadesus e Gérard Depardieu…
“Um encontro pouco comum, entre o amor e a ternura, não tinha outra coisa. Tinha nome de flor e vivia entre as palavras. Adjetivos rebuscados, verbos que cresciam como a grama, alguns ficavam. Entrou suavemente desde o córtex até o meu coração. Nas histórias de amor há mais que amor. Às vezes não há nenhum ‘eu te amo’, mas se amam. Um encontro pouco comum. Eu a conheci por acaso no parque. Ela não ocupava muito espaço, era do tamanho de uma pomba com as suas penas. Envolta em palavras, em nomes, como o meu. Ela me deu um livro, e outro, e as páginas se iluminaram. Não morra agora, há tempo, espere. Não é a hora, florzinha. Me dê um pouco mais de você. Me dê um pouco mais de sua vida. Espere. Nas histórias de amor há mais que amor. Às vezes não há nenhum ‘eu te amo’, mas se amam.”
(Minhas Tardes com Margueritte – Jean Becker)
O filme conta uma história que mistura amizade e amor, tristeza e alegria, velhice e juventude. Principalmente, traz o conceito sobre a verdadeira sabedoria da vida, que está nos pequenos detalhes…
Em relação à música, eu poderia selecionar uma ópera, um bolero, um clássico ou um tango. Mas não. Escolherei aquela música que acompanhou os meus dias tristes e felizes, por se mostrar tão próxima à realidade que me cerca…
“All my life I’ve tried to make everybody happy
While I just hurt and hide
Waiting for someone to tell me it’s my turn to decide…”
(King of Anything – Sara Bareilles)
Para finalizar, uma citação recente de uma blogueira especial, de quem gosto muito!
“A gente aprende a costurar o próprio coração, enfeitar as dores com botões coloridos, refazer remendos com linhas decoradas. Aprende a costurar. E até a bordar detalhes em ponto cruz.
E aprende que sempre sobra alguém melhor em nós depois de cada depois.” – Natália Raposo -
Que venha 2012 e suas mil opções de leituras, filmes e músicas para fazer brilhar o nosso coração…
Feliz ano novo!