Então é novembro… (finalmente)
O mês que tem símbolos muitos para mim. Quando eu era pequena eu tinha o costume dizer que o nome desse mês era “novelo”. Não que eu não conseguisse dizer “novembro”. Na verdade eu sempre fui (e sigo sendo) uma pessoa muito sonora, cuja característica principal é decifrar o sentido das palavras que me chegam. Então novembro era o meu novelo onde eu enrolava um bom punhado de linhas coloridas e guardava lá no fundo do meu baú, junto as folhas e galhos recolhidos ao longo dos dias. Ao lado havia sempre um álbum de fotografias…
Novembro durante um bom tempo, para mim foi o “outono” dos meus olhos. Mas mesmo hoje que vivo em um país tropical, o outono não está longe de mim. Ele se desenha lá fora, como se fosse um capricho da natureza apenas para mim. O dia de hoje amanheceu assim: frio, úmido, com sol ameno, silêncio e uma sensação de aconchego. As nuvens escorregavam de um lado para o outro e eu fiquei lá na varanda por um bom tempo a espiar suas ilusões várias. Vi folhas de envelhecido tom sendo carregadas pelo vento. Caminhei por calçadas de árvores desnudas. Meus passos visitaram antigas paisagem. Senti saudades dos dias de antes. Saudades de sorrisos e abraços que permanecem aqui junto a mim…
Enfim, é novembro…
E hoje é apenas o primeiro dia desse mês que pra mim tem aroma de bolo de baunilha, biscoito de gengibre, macarrão ao pesto, doce de abóbora, bolachas caseiras, chá de cascas de maçã, torta de creme… Tem sons de histórias antigas sendo contadas no começo da noite, quando a escuridão se esparrama pela paisagem e todos se esquecem que há uma cidade inteira do lado de fora de cada porta.
E não por acaso, eu nasci em novembro, em seus últimos dias e às vezes penso que daqui a alguns anos eu vou simplesmente desaparecer em um dia qualquer de novembro. Pode ser, não pode? Claro que pode… Vai ser muito bom simplesmente desaparecer.
Espero que não se importem. Mas as vezes é preciso desaparecer, sem deixar rastro. Se perder. Ser outra ou nada ser. Não dizer adeus, nem mesmo até breve, apenas enfiar as mãos no bolso, enrolar um cachecol no pescoço e sair por aí, sem fugas, nem medos… Apenas ir – sem mapas ou destino atrelados ao passo…
É novembro meus caros e eu vou lá pra fora passear com o meu cão. Enfim, por um dia ou dois é outono aqui em São Paulo. Celebrem comigo, com uma xícara de chá quente ou uma taça de vinho tinto. Não importa.