01 de novembro…

nuvens 48Imagem. Série “nebulosas”…

Então é novembro… (finalmente)
O mês que tem símbolos muitos para mim. Quando eu era pequena eu tinha o costume dizer que o nome desse mês era “novelo”. Não que eu não conseguisse dizer “novembro”. Na verdade eu sempre fui (e sigo sendo) uma pessoa muito sonora, cuja característica principal é decifrar o sentido das palavras que me chegam. Então novembro era o meu novelo onde eu enrolava um bom punhado de linhas coloridas e guardava lá no fundo do meu baú, junto as folhas e galhos recolhidos ao longo dos dias. Ao lado havia sempre um álbum de fotografias…

Novembro durante um bom tempo, para mim foi o “outono” dos meus olhos. Mas mesmo hoje que vivo em um país tropical, o outono não está longe de mim. Ele se desenha lá fora, como se fosse um capricho da natureza apenas para mim. O dia de hoje amanheceu assim: frio, úmido, com sol ameno, silêncio e uma sensação de aconchego. As nuvens escorregavam de um lado para o outro e eu fiquei lá na varanda por um bom tempo a espiar suas ilusões várias. Vi folhas de envelhecido tom sendo carregadas pelo vento. Caminhei por calçadas de árvores desnudas. Meus passos visitaram antigas paisagem. Senti saudades dos dias de antes. Saudades de sorrisos e abraços que permanecem aqui junto a mim… 

Enfim, é novembro…
E hoje é apenas o primeiro dia desse mês que pra mim tem aroma de bolo de baunilha, biscoito de gengibre, macarrão ao pesto, doce de abóbora, bolachas caseiras, chá de cascas de maçã, torta de creme… Tem sons de histórias antigas sendo contadas no começo da noite, quando a escuridão se esparrama pela paisagem e todos se esquecem que há uma cidade inteira do lado de fora de cada porta.

E não por acaso, eu nasci em novembro, em seus últimos dias e às vezes penso que daqui a alguns anos eu vou simplesmente desaparecer em um dia qualquer de novembro. Pode ser, não pode? Claro que pode… Vai ser muito bom simplesmente desaparecer.

Espero que não se importem. Mas as vezes é preciso desaparecer, sem deixar rastro. Se perder. Ser outra ou nada ser. Não dizer adeus, nem mesmo até breve, apenas enfiar as mãos no bolso, enrolar um cachecol no pescoço e sair por aí, sem fugas, nem medos… Apenas ir – sem mapas ou destino atrelados ao passo…

É novembro meus caros e eu vou lá pra fora passear com o meu cão. Enfim, por um dia ou dois é outono aqui em São Paulo. Celebrem comigo, com uma xícara de chá quente ou uma taça de vinho tinto. Não importa.

O fim, pra começar…

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Eu espero que você esteja bem e saudável. Espero sinceramente que meu desassossego nesse instante seja apenas motivado pela surpresa do silêncio que invadiu o meu ser quando fui “procurar-te” nos lugares de sempre. Me senti diante de uma prateleira, a procurar pelo meu livro favorito, antigo, de capa de amarelecido tom que não estava onde deveria estar. Logo, não consegui encontrá-lo. Havia anotações de outrora. O sabor das páginas, mas agora são apenas ilusões perdidas.

Receba o meu abraço


Vagando além dos nós…

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E nas esquinas dessa cidade se erguem sombras e inventam temporais. Eu sou pura semântica e passo por tudo isso como se ainda fosse aquela menina de poucos anos e meia dúzia de fios de cabelo.

Eu vou mais além: atropelo poças e tento saber quem sou. O espelho não diz absolutamente nada. Mas os pássaros cantam meu nome lá fora e eu vou com eles pelo infinito, passando por entre nuvens de cor cinza, feito fumaça…

Lá do alto vejo o telhado de casas antigas e me perco em possíveis cenários. Adoro interiores. Dizem tanto sobre essa gente estranha que vive por aí: móveis cor de mogno e objetos espalhados pelo cantos. tantas coisas escolhidas ao acaso…

Tic tac… Tic tac…
Ando cansada das horas inteiras, daqui pra frente só quero saber das meias horas!

 

…desde outono de outubro
resgato-me
de tudo que em mim eu mesma rasguei
embora
cinza o mar
cinza o céu
cinza que piso
embora primavera aí
outono aqui
resgato-me
sirvo-me bolachas pardas
café claro
muita é a fome
deixo-lhe aí
uma nesga de pensamento meu
numa xícara do mais puro chá
claro feitos os dias aqui
mas em pétalas.

(suzana guimarães)

 

Já reparou baby que alguns poemas parecem terem sido escrito especialmente pra você? 
Fica parecendo que a moça escreveu sobre você, pra você…

 

 

 

A caixa de sapato…

image                                                                                                                         Presente da Su – a menina de asas

As badaladas se acumulam nos ponteiros e aos poucos os feriados vão vestindo seus pretéritos. Hoje é segunda-feiraa última de 2010 – esse ano cheio de pequenas erupções. Foram tantos contratempos, mas eu sobrevive: vesti abraços deliciosos, descobri marés, praias e oceanos inteiros. Visitei antigas paisagens… Desbravei o desconhecido e cá estou eu a pensar na magia desse dia. Sim, segunda-feira (aquele dia que muitos odeiam e eu simplesmente adoro) – dia da poesia, da Deusa e dos sentimentos amenos. Sim, é dia de ir mais devagar, respirar fundo, acender um incenso, ler (olhos de menina de Susan Fletcher – minha mais nova paixão, mas não se preocupe, não é nenhum “Orgulho e Preconceito” e por enquanto não há nem sombra de Mr. Darcy). Dia de dar passos pela estrada e rasgar as horas como se fossem trapos antigos… Dia de ganhar flores, eu ganhei a minha no meio da noite de ontem…

E por ser dia da poesia (pra mim) trouxe pra cá mediante autorização da autora, essa figura que parece conhecer-me, mesmo sem nada saber-me de mim. Ziris do blog Um toque de vida que eu encontrei no meio de minhas andanças. Dessas que faço ao seguir mapas deixados por outros para meu devaneio. O nome do blog chamou minha atenção de imediato e lá fui eu percorrer suas linhas; mas ao encontrar o poema abaixo, eu simplesmente abri um daqueles sorrisos que a Tempestade agora parece conhecer e percebi que havia uma neblina suave em meus olhos.

Narciso deslumbrado

O céu é um mar que não tem fundo.
No mar nasce sol e deita lua.
Quando um anoitece o outro flutua.
Os peixes só dormem quando o azul do mar desdoura…
No mar também tem estrelas mas quem brilha são os plânctons…
No céu os passarinhos não aceitam iscas.
E borboleta no fundo do mar voaria!
O avião é um tubarão com asas.
O céu enxerga no mar sua imagem artificada e 
na terra os homens a chamam de Monet.
Não necessita guarda-chuva os que de água tem superfície.
As nuvens são marés por onde o tempo passa.
Mas quando o céu tá limpo dá pra pescar muitos sonhos…

12122010927Lunna contando nuvens no sótão…

Então a semana começa, é hora de abrir as cortinas e deixar os ventos entrarem nessa minha caixa de sapato. Mundo de idéias as avessas e construções desorientadas. Tudo pretérito avançando futuro adentro.

Bacio e desejos de uma linda de semana com pétalas do campo flutuando na imensidão cinza porque há de chover tempestades aqui e lá…

Num dia de Freia, Deusa nórdica da fertilidade e do amor.

Eu e minhas vontades…

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Eu sou a menina das vontades. Aquela que acorda antes mesmo de ir dormir e se precipita em passos pela casa antes que os personagens despertem e saíam por aí fazendo eco em mim. Sim, eu vou lentamente sentindo o sabor dos aromas de manhãs antigas: café preto no bule, pão deixado na porta e mesa posta na primeira hora. Tudo escuro, silencioso com cores se desfazendo na janela lateral e aos poucos o dia vai se inventando pelos cantos do mundo…

Então passa o tempo e surge em minha derme a vontade de costurar nuvens com linhas de todas as cores, arrematando o que resta da manhã as primeiras horas da tarde e se calhar, bordo um arco íris sobre a cidade, de um rio ao outro. Pronto. Eu sei, isso é um absurdo pra você, mas e daí? Pergunto eu com a habitual indiferença de quem não se importa com os rastos lá de fora…

Eu quero mesmo é “namorar” a escada, abandonando-me por lá durante horas inteiras. Todas lentas. Com chá esfriando na xícara, livros em mãos e olhar de horizonte… E entre uma página e outra, eu ouço o canto do pássaro na jabuticabeira que esta atrasada com seus frutos esse ano. Ela não liga, diz pra mim que tem seu próprio tempo e não vai viver no tempo dos outros. Está certa ela…

Quer saber? Eu quero mesmo é bordar estrelas nesse pano de fundo para que a noite chegue mais cedo e eu volte lá para dentro onde sei da lua quando meus dedos se apressam pelo teclado para lançar um diálogo intimo entre a tela e eu…

Porque eu sou a menina das vontades e vivo no sótão.
Tem alguma dúvida quanto a isso?