Os livros para maio…

Chegou maio…

E com ele os dias mais cursos, com suas nuvens acinzentadas, suas tardes lentas. A pressa se esvaí… Tudo se acumula do lado certo: o lado de dentro. Os livros formam pilhas ao lado da cama, junto ao velho baú que recebe missivas mais longas, e envelopes coloridos… Acumulam-se também as xícaras de chá. As taças de vinho e as canecas com chocolate… E para os dias de maio eu escolhi alguns livros novos, outros antigos (já lidos dúzias de vezes) porque Maio me pede para sentir o calor da minha existência e ela é regada a muitas páginas de livros…

livros para maio

1 – Anna Kariênina – Liev Tosltói
2 – Mansfield Park – Jane Austen
3 – Desfiz 75 anos – Rubem Alves
4 – O Caderno de Maya- Isabel Allende
5 – Loucas Noites – Wild Nights -Emily Dickinson – Trad. Isa Mara Lando
6 – Sociedade literária e a torta de casca de batata – Mary Ann Shaffer e Annie Barrows
7 – Viagem ao Scriptorium – Paul Auster
8 – Limite Branco – Caio Fernando Abreu
9 –Mrs. Dalloway – Virginia Woolf
10 – Poesia – T.S.Eliot
11 – Diários não Expurgados 1934/1937 (Fogo ) – Anais Nin
12 – Fragmentos – Caio Fernando Abreu

E antes que alguém se atreva a fazer “novamente” essa pergunta: sim, eu vou ler todos eles… (risos) – já comecei (re)  lendo “limite branco, fragmentos e viagem ao scriptorium”. Desfiz 75 anos já foi lido por mim há poucos meses, mas resolvi ler novamente – os dias de maio pedem por isso.
Poemas são leituras rotineiras, feita por mim a qualquer hora do dia, levo-os comigo, na bolsa, na mão, para a escada, cozinha, varanda…
Claro, já li Mansfield Park (sempre que chega o outono, Jane Austen chama por mim – mas dessa vez não quis voltar a Orgulho e Preconceito em maio, então mudei, ficará para junho…) – Mrs. Dalloway também já lido, saltou para cima de mim nos dias de maio depois de um diálogo sobre o livro com a Suzana Guimarães. Me dei conta que o tinha lido quando tinha uns treze anos – logo, é tempo de reencontro, até porque será a primeira vez a ler em português – tradução de Mário Quintana. E Sociedade literária e a torta de casca de batata me pede uma segunda leitura…

Enfim, os meus dias de maio terão suas muitas páginas para serem viradas…

A maioria dos poetas que amo já desapareceram todos!

Antes de começar, já vou dizendo que a culpa é toda dela

Seja o que for, era melhor não ter nascido,
Porque, de tão interessante que é a todos os momentos,
A vida chega a doer, a enjoar, a cortar, a roçar, a ranger,
A dar vontade de dar gritos, de dar pulos, de ficar no chão, de sair
(…)

 

imageImagem. Lis Costa do blog Flor de Lis.

 

Pronto. Agora estou aqui pensando sobre a morte e suas analogias. Cada um tem a sua, pra mim a morte é apenas o mistério de estar aqui e amanhã não mais. Desaparecer. Algo que as pessoas não entendem. Olham e se perguntam “por que desaparecer?”. Oras, porque todos nós em algum momento desaparecemos.

Tom Jobim desapareceu, mas deixou um pouco do que foi o homem ou algo assim. Ele era o homem que me dizia “vem cá Luiza, dá-me a tua mão” e eu nem me chamo Luiza, mas o que importa o nome? Eu ia com ele. E pronto… Hoje a música se repete por aí, mas não vejo sua figura, ouço seus sons, seu sentir, mas o homem desapareceu…

E tanta gente seguiu o mesmo caminho. Tanta gente simplesmente desapareceu. Eu tenho uma lista inteira com nomes. Alguns me surpreenderam. Porque a gente espera por tudo, menos por isso. Alguém vem e te diz “ele morreu” – então acontece uma pausa natural. Leva alguns segundos pra que você entenda o real sentido daquela palavra. E só então você reage. Ou se trata de um espanto. Um desconforto. Descrédito… Enfim, nunca estamos prontos de fato.

O mais engraçado é que eu choro por qualquer coisa. Desenhos animados me fazem chorar. Filmes, seriados, livros…  Mas a morte. Bem, sempre que sei que alguém morreu, nada me ocorre. Lembro das lágrimas derramadas pelo Ayrton Senna (eu fiquei chateada porque esperava vê-lo correr mais). Mas não foi assim. Ele simplesmente desapareceu das manhãs de domingo. Mas você pode dizer que ao menos existiram aquelas manhãs em que carros se enfileiravam no grid e disputavam volta após volta o lugar mais alto no pódio. Sim, existiram aqueles dias, mas o homem e sua história ficou no passado. Perdeu-se. Desapareceu…

Enfim, a morte é esse mistério que a maioria de nós não alcança. Para um escritor a morte é um fascínio, afinal, somos deuses (não ria, o assunto é sério). Pense bem: criamos personagens, alinhavamos seus destinos. Determinamos o quanto irão sofrer até alcançar a utopia da vida: a tão sonhada felicidade. Determinamos cada ação e reação. Criamos um mundo inteiro para aquela figura que pode viver em tempos distintos ou tempos inexistentes nessa nossa realidade. Mas quando matamos um personagem, a descrição é simples, sem grandes latitudes porque estamos limitados pela vida. Incrivelmente limitados. Não é irônico? Sim. É completamente irônico. A vida nos limita. E até mesmo aqueles que ultrapassaram essa maldita barreira, dependeram de outros para descrever tal momento. Que o diga Virginia, Florbela, e tantos outros… A vida  limitando o individuo.

E claro, por favor, não me falem em psicografias. Elas não servem de alento para um autor, afinal, a consciência da escrita está no tempo de agora. Hoje. Não há conforto para aquele que consegue descrever a façanha da descoberta de um grande amor como tão bem o fez Jane Austen em Orgulho e Preconceito, embora me incomode e muito o fato de Lizziê só se dar conta do amor que sente por Mr. Darcy quando ela vê o tamanho de sua casa. Tudo bem. Há perdão nisso tudo porque eu percebi seus sentimentos por ele bem antes disso. Até porque eram assim o pensamento das senhoras do tempo de Austen que também sentiu na pele o drama de recusar o casamento. Há quem tenha esperado encontrar em suas missivas e diários um amor secreto. Um certo Mr. Darcy. Mas tudo isso desapareceu junto com a autora que deixou suas palavras, suas histórias, seus personagens. Mas ela em si, desapareceu…

É claro que ela continua, assim como eu continuo e muitos de nós continuam por aqui. O homem inventou a idéia de continuidade, para não fazer de sua existência algo deveras desagradável. Então, nascem os filhos e ali, naquela figura pequena está o milagre da continuidade. Quanto peso para alguém tão pequeno e já tão comprometido com uma ciência que nem ao menos o alcança…
Enfim, tudo entregue ao  amanhã que também apresentará o ponto final dos mistérios da vida para inúmeras figuras: eu, você e tantos outros porque desaparecer é uma consequência natural…

Sim, há quem diga que há mais depois. Mas de certo mesmo, independente de crenças, é que temos o tempo presente, no qual pulsam corações, se atrevem olhares, se precipitam movimentos. A vida é o tempo presente. É consequência do agora. A vida é essa ciência que culmina no ato de desaparecer… Algo que eu considero poético, como os versos de um poeta qualquer que eu admiro.

Para fora de todas as casas, de todas as lógicas
e de todas as sacadas,
E ir ser selvagem para a morte entre árvores e esquecimentos,
Entre tombos, e perigos e ausência de amanhãs,
E tudo isto devia ser qualquer outra coisa
mais parecida com o que eu penso,
Com o que eu penso ou sinto, que eu nem sei qual é, ó vida
.
(…) Álvaro de Campos – Passagem das  horas

Aviso. A maioria dos poetas que amo já desapareceram todos!

Livros para o mês de novembro…

livros de novembroEm casa era uma festa. Livros espalhados por todos os cantos com suas muitas capas coloridas, duras, repletas de palavras interessantes. Minha mãe gostava dos contos indianos (acho que eu já disse isso em algum lugar) enquanto o meu pai tinha uma preferência natural pelos livros jurídicos – mas também lia os famosos clássicos da literatura. Mas apenas aqueles com os quais se identificasse. Dava pra contar nos dedos. Sério…

Mas a noite, depois do jantar, nos sentávamos no sofá e pronto. Escolhíamos um livro e líamos (as vezes apenas nós três, as vezes mais pessoas – dependia do dia. Houve uma época que várias pessoas começaram a chegar em casa depois do jantar. Uma delas uma vez trouxe um bolo. Outra numa outra ocasião trouxe um prato de biscoitos… E teve quem trouxesse chá quente, café com leite e por aí vai). Eu achava engraçado. Sentávamos no sofá e tocava a campainha (que era um sino – três vezes). Numa dessas vezes, a vizinha, uma senhora simpática que tinha um cão (presente do filho que tentou levá-la para morar em sua casa e como não conseguiu, deu o cão para fazer-lhe companhia – para onde ela ia levava aquele labrador negro. Lindo). Trouxe um livro de presente para o grupo (a essa altura já eram sete pessoas sentadas no sofá) – o livro era “Amar verbo intransitivo de Mário de Andrade”. Foram cinco noites lendo o livro. Cada um lia um trecho. Cada um com sua voz, sua emoção, seu entusiasmo e curiosidade. As vezes eu esquecia a história (que eu já conhecia) e prestava atenção nas reações de cada um. Havia quem esfregasse as mãos. Quem cruzasse os braços. Que respirasse fundo… Havia de tudo. E havia eu (aquela menina de olhos atentos) sendo moldada pelas noites em “família”. Na última leitura feita, éramos vinte e três pessoas… Entre eles os dois netos da senhora e seu cão (aliás, ele prestava muita atenção na leitura também, mas havia quem dizia que ele estava dormindo. Eu nunca acreditei nisso).

Enfim, é novembro. Pra mim é o tempo de olhar para trás e recordar esse passado que faz de mim o que sou hoje… A paixão pela leitura, como sabem, não se perdeu, continua aqui em mim. Não cessa de forma alguma. Mas confesso que leio bem menos que antes. Não culpo o tempo. Culpo apenas a mim mesma – às vezes preciso me dedicar com mais intensidade as palavras que vivem em meu íntimo e falta tempo para as palavras dos outros.

Mas mesmo assim a paixão continua em mim e há dias em que eu simplesmente preciso abandonar a mim mesma e mergulhar naquelas páginas, cuja realidade me atraí. Gosto de dizer que sou abduzida por Jane Austen, Virginia Woolf, Fernando Pessoa, Eliot, Susan Fletcher, Lygia Fagundes Telles, A.S.Byatt e tantos outros…

Minha lista de livros para o mês de novembro: (foto acima)

01 – Papel Manteiga para embrulhar segredos  – Cristiane Lisboa (sugestão da Mariacininha) – o livro é delicioso (já li, mas vou ler novamente)…

02 – Inventário de um escritor irremediável – Caio Fernando Abreu

03 – A riqueza do mundo – Lya Luft

04 – Persuasão – Jane Austen (sim, eu já li. sim, eu ou ler de novo)

05 – Desfiz 75 anos – Rubem Alves (achei na Cultura em minhas andanças por lá, lembrei-me da “Mãe Gaia” e trouxe-o comigo…

Hoje é sexta…

“O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo, Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo, Cansaço”. …

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Sim, é isso mesmo: estou cansada!
Resolvi fazer uma faxina por aqui… (pleonasmo) Comecei limpando a lista de links desse blog. Havia diversos caminhos ali que já não me levavam a lugar algum e havia alguns caminhos que meus passos não desejavam… Logo. Não existem mais… É claro que estão por aí, mas não aqui…

Ando de paciência curta com certos blogs e seus dizeres. Alguns causam-me fadiga e como já passei do tempo de me obrigar a leituras desnecessárias, comecei a fazer a faxina. O reader já foi esvaziado dias antes. Agora chegou a vez do sótão.

Pra ser sincera, eu tive vontade mesmo de tirar a lista de link dali, mas por enquanto permanece. Pelo menos até amanhã…

É complicado. Sempre que minhas leituras se intensificam, me torno mais exigente com os conteúdos e não tolero certas coisas. Virginia Woolf segue comigo, assim como Jane Austen, Álvaro de Campos, Lya Luft, Emily Dickinson, Jack Kerouac e alguns autores recém chegados a minha mesa. Cartas estão sendo escritas. Receitas aprimoradas. Páginas estão perdendo o seu branco e ganhando o colorido das palavras… E quando olho para a tela do computador, certos blogues parecem uma extensão inválida das redes sociais e suas besteiras. Já notou como a linguagem na rede social é desrespeitada? O twitter te obriga aos seus 140 caracteres e parece que as pessoas se limitam ou já eram limitadas. Não sei…

Enfim, é cansaço. Eu acho. Daqui a pouco passa…
Mas a faxina continua!

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(…) A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas
Essas e o que faz falta nelas eternamente
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.
(…) Fernando Pessoa

Livros para o mês de agosto…

Agosto atravessou a rua, veio ao meu encontro… De julho restou apenas as lembranças dos dias passados na companhia dos meus livros e algumas outras coisas também, um punhado delas, mas é agosto e alguns livros saltaram pra cima da mesa… Seleção feita. É hora de virar páginas!

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1 – As ondas – Virginia Woolf
2 –
Triângulo das Águas – Caio Fernando Abreu
3 –
O livro do dessassossego – Fernando Pessoa
4 –
A vida das abelhas – Maurice Maeterlinck
5 –
A riqueza do mundo – Lya Luft
6 –
Durante aquele estranho chá – Lygia Fagundes Telles
7 –
Emma – Jane Austen
8 –
Folhas da Relva – Walt Whitman
9 –
Quando eu fui outro – Fernando Pessoa


Alguns já foram lidos antes, mas sabe como é? O momento é outro, então o sabor também será outro… Vou de chá de menta nos próximos dias. Me acompanha?

Livros para o mês de julho

Julho começou sem eu perceber (sentir) sua presença. Estava desatenta e hoje pela manhã quando olhei para o calendário: lá estava julho e seus dias… Ao todo, contados na ordem natural dos humanos (doze dias passados). Para onde foram? Comecei a questionar, mas desisti, afinal, há dias que não deixam marcas profundas, apenas passam por nós…

Enfim, só me ocorreu selecionar livros para ler nos dias seguintes de julho.
Nada mais. Afinal, ainda restam dias no mês de julho, não é mesmo?

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1 – Mário de Andrade – melhores poemas
2 – Starhawk – A dança Cósmica das Feiticeiras
3 – Emily Dickinson – Wild Night
4 – Virginia Woolf – Noite e Dia
5 – Lima Barreto – Diário do Hospício e Cemitério dos vivos
6 – Álvaro de Campos – poesia
7 – Jack Kerouac – diário
8 – Jane Austen – Mansfield Park

As páginas dos livros e eu…

Depois de escrever a matéria “ler é bom pra cachorro” onde aproveitei pra falar dessa minha paixão por livros que começou, até onde me lembro, nos primeiros anos de vida, resolvi aproveitar o embalo para responder a esse questionário sobre livros. Arte da dona Borboleta – onde já se viu convidar uma leitora compulsiva para falar ou responder perguntas sobre livros. Dá pra imaginar aonde isso me leva?

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1 — Existe um livro que lerias e relerias várias vezes?
Que pergunta mais difícil essa.
Vamos lá: Quase todos os livros que estão na minha humilde prateleira já foram lidos e (re)lidos, mesmo os que não gostei de ler porque eu sempre acho que é tudo uma questão de ponto de vista. Vira a página, muda o momento, quem sabe desperta outro sentir. Mas tem alguns que eu leio de novo e de novo e novamente: Olhos de menina, Susan Fletcher – Durante aquele estranho chá, Lygia Fagundes Telles – Possessão, A.S. Byatt, A vida das abelhas, Maurice Maeterlinck – Poesias, Álvaro de Campos – Orgulho e Preconceito, Jane Austen – Mansfield Park, Jane Austen – As ondas, Virginia Woolf…

2 — Existe algum livro que começaste a ler, paraste, recomeçaste, tentaste e tentaste e nunca conseguiste ler até ao fim?
Não exatamente, eu não gosto de abandonar livros, mas tentei dias atrás (re)ler Crime e Castigo e percebi que pra mim esse é um livro de verão e não combina com os tons e os sabores do outono. Li uma dúzia de páginas e pronto: deixei-o lá a esperar pelo próximo verão. Os mesmo ocorre com os livros de Clarice, suas palavras pra mim tem sabor de verão e não adianta me obrigar a outro tempo, outra atmosfera.

3 — Se escolhesses um livro para ler para o resto da tua vida, qual seria ele?
Um único? (vontade de gritar) Notou o pânico? (deixei a pergunta para responder por último) – mas acabei escolhendo “Poesia de Álvaro de Campos” – mas você não imagina a dor de abandonar outros títulos. Daria um  jeito de burlar isso.

4 — Que livro gostarias de ter lido mas que, por algum motivo, nunca leste?
Ulisses. Até hoje não consegui me aproximar dele. Acho que ainda não é o momento. Sei lá. O tive em minhas mãos e disse agora vai. Não foi… Outros livros me sequestraram o sentido…

5– Que livro leste cuja ‘cena final’ jamais conseguiste esquecer?
Amar verbo intransitivo, Mário de Andrade – A menina que roubava livros, Markus Zusak – Triângulo das Águas, Caio Fernando Abreu – Cem anos de solidão, Garcia Marques e Emma, Jane Austen.

6– Tinhas o hábito de ler quando eras criança? Se lias, qual era o tipo de leitura?
Livros de Mitologia Grega. Ouvia as histórias sendo narradas por minha nona e queria saber mais e mais. O mesmo aconteceu com a Mitologia Céltica e Egípcia. Pra mim era tudo uma espécie de “contos de fadas” só que bem melhor. Fui uma criança chata que odiava a Chapeuzinho e torcia para o lobo só para a história ficar mais interessante. Detestava a Branca de Neve e adorava a Bruxa Má. Detestava a Cinderela e por aí vai. Claro que ouvi todas essas histórias na escola como toda criança e foi assim que eu descobri que o tédio existia.

7. Qual o livro que achaste chato e mesmo assim leste até o fim? Por quê?
Noite e dia, de Virginia Woolf, os personagens me tiraram do sério com suas dúvidas, pareciam fazer aquele jogo infantil do bem-me-quer – mal-me-quer. rs E li porque adoro Virginia e não me arrependo e já estou lendo de novo… Os originais de Laura, de Wladimir Nabokov: me decepcionei no decorrer da leitura, mas o li porque queria compreender o ritmo do autor.

8. Indica alguns dos teus livros preferidos.
Por onde eu começo? Todos os livros de Jane Austen, Virginia Woolf, Susan Fletcher e Caio Fernando Abreu. Eles tem total licença para serem obrigatórios, mesmo leitura sendo prazer e não obrigação… Citando alguns: Dom Casmurro, Machado de Assis (mas esqueçam a traição de Capitu e prestem atenção na mãe de Bentinho). Amar, verbo intransitivo, Mário de Andrade (retrato de uma sociedade hipócrita). Livro do Desassossego, Fernando Pessoa (necessidade humana). O casamento do céu e do inferno, William Blake.

9. Que livro estás a ler neste momento?
Wild Night, Emily Dickinson: (poesia) porque poesia é sempre bem vinda nos meus dias – As ondas, Virginia Woolf: porque esse livro sempre pede para ser lido – A dança cósmica das feiticeiras,  porque preciso meditar minhas ilusões. Diários de Jack Kerouac, Jack Kerouac: porque eu adoro me aventurar nas palavras desse autor e verificar suas loucuras acerca da criação de seus livros – Razão e Sentimento, Jane Austen: porque é outono e o outono sempre me pede para ler Austen – Diário do Hospício e O cemitério dos vivos, Lima Barreto: porque esse livro pediu para vir comigo num outro dia quando estive na Cultura e eu o trouxe. Claro, agradeço a todos os deuses por ter feito isso. 

10. Indica dez amigos para o Meme Literário.
Dez? Não sei… Vou indicar apenas aqueles que despertam em mim alguma curiosidade para saber o que estão a ler.

Long Haired Lady do blog 2 + 2 = 5
Keila do blog Atitude do Pensar
Cris do blog Cafofo on line
Letícia do blog Tempestade
Taty do blog When she danced
Suzana Martins do blog Entre Marés

Já que ela “dez maio” eu sentir “maio”…

O vento cortas os seres pelo meio,
Só um desejo de nitidez ampara o mundo…
Faz sol. Fez chuva. E a ventania
Esparrama os trombones das nuvens no azul.
(…) Mário de Andrade, Momento (abril de 1937)

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Gente, eu preciso dizer o obvio: maio está chegando ao fim…
Lá se foi o mês com suas flores exclusivas (que aqui em casa resolveram abrir em abril e tudo indica que abrirão em junho também). O mês das trovoadas, que irrompe o céu da minha mente com seus versos, histórias e prazos.

Maio pra mim lembra Jane Austen e suas histórias que ao contrário do que disse o atendente da Cultura, são sempre atuais pra mim e eu continuo lá, torcendo para que a Lizzie e o Mr. Darcy encontrem um jeito de estarem juntos ou que Fanny Price sobreviva aqueles leões que tentam engoli-lá a cada página devorada por meus olhos…

Mas o mês de maio esse ano trouxe-me Virginia Woolf e sua deliciosa eloquência em “Noite e Dia” e no melhor “As Ondas”. Acho que a confusão de suas personagens em se amam ou não amam ou ainda se são capazes de amar é a dúvida da maioria dos mortais e eu provavelmente tenha me irritado com essas dúvidas por nunca as tive em minha pele e sempre fui mais adepta do “ou isto ou aquilo” – “ou sinto ou não sinto”. Sem o caminho do meio…

Logo, maio vive seus últimos momentos e amanhã já é o mês que vem. Ando arredia com essas simbologias, estando no último dia do meu mês preferido, me vejo contendo meu passo e desejando mais horas nesse dia que levará maio para longe de mim. Eu sei que tem gente feliz com isso. Não é mesmo Dona Borboleta? Compreendo seus rumores, ditos em dez maios e o título nos leva a uma metáfora. Seria proposital?

Sim, maio…
Está acabando, faltam algumas horas apenas e quando estiveres aí lendo, serão menos horas ainda e você saberá que o tempo passou e que ainda ontem eu estava festejando a chegada do mês com versos e agora estou aqui suspirando como quem morre (sim, porque o suspiro é isso, uma morte lenta, poética. Morte dos olhos, da boca, das narinas e dos sentidos). Fecha-se os olhos por um segundo e leva para dentro um ar mais ameno. Não há intensidade bastante, é como se fosse o último suspiro e quando  se volta, vamos lembrar Pessoa, já é outro. Ah! Pessoa tem tanto incomum com maio…

Maio esse ano me levou pra longe do blog em seus últimos dias. Eu fui outra e fiquei de escrever um post sobre “a menina que um dia eu fui”, mas não pude fazê-lo porque maio levou-me para longe de mim, afastou-me. Eu fui Aurora, Beatriz, Dara e ainda sigo sendo essas personagens que são mulheres cuja característica afronta meu “eu” e não me deixam de forma alguma abrir certas janelas, talvez por isso tenha ido ao encontro de Mário de Andrade esses dias. Eu o encontrei ali entre outros livros e ao ver “Remate dos Males” – sua série de poemas que mais me alcança e que me faz pensar: “o mundo ainda tem salvação porque há o sentir em muitos de nós” e mesmo que amanhã o mês seja outro, maio vai ficar comigo por mais alguns dias porque eu o levo aqui dentro e não o deixo, afinal, se o outono se encontra comigo o ano inteiro em pequenos detalhes que são só meus, porque seria diferente com o mês de maio?

120420111298

(…)
Ninguém chega a ser um nesta cidade,
As pombas se agarram nos arranha-céus, faz chuva.
Faz frio. E faz angústia… É este vento violento
Que arrebenta dos grotões da terra humana
Exigindo céu, paz e alguma primavera.
Mário de Andrade, Momento (abril de 1937)

Então é isso: acabou. É hora de virar a página.
Caríssimos, aproveito para desculpar-me pela ausência, mas como eu disse anteriormente: maio é o mês das trovoadas e realmente foi assim… rs

Noite e dia…

A noite estava muito serena, e em noites dessas, quando o trágego se resume a um fio, o pedestre toma conhecimento da lua na calçada, como se as cortinas do céu tivessem sido corridas, e o firmamento se mostrasse nú como se mostra no campo. O ar estava fresco e macio, e as pessoas que tinham ficado sentadas falando acharam agradável andar um pouco antes de parar para esperar um ônibus ou de encontrar luz outra vez, numa estação de metrô. (…)

Noite e Dia, Virginia Woolf – pág. 80 / capítulo V

Foto0116Eu vivo as voltas com a mesma questão desde que escrevi e-pifanias. Agora o Dr. Gustavo Andreatti também questiona-se nas linhas de Cara & Coroa “em quantas caixas cabem uma vida?”. Não sei. Eu prefiro acreditar que a vida precisa de baús e não de caixas e quero me fazer crer que a minha vida inteira cabe no baú que segue aqui ao lado desta mesa.

Dentro dele encontrei o livro de Virginia Woolf – “noite e dia”. Há algo poético nisso…
O que não é poético é dizerem que Virginia “imita” Jane Austen nas linhas desse livro. Há semelhança de estilo, mas é tudo tão diferente. Os personagens de Viriginia nada sabem do amor, ao contrário dos de Jane. O amor para Ralph e Katharine é uma incognita. Eles não se entendem e tão pouco entendem o que de fato sentem. Pensam amar ao outro, as vezes, um ao outro, mas estão tão confusos com suas condições e verdades que não entendem o que vai por dentro e penso que nem o que vai por fora…

Noite e Dia não é um romance por assim dizer, se você entende que todo romance precisa do argumento principal: o amor porque em suas linhas, o amor não é a figura principal, nem de longe. O antagonista é tão confuso que em determinado momento se deixa convencer que não ama a quem pensava amar e sim, ama a outra que até então nem estava lá.

As vezes, dá vontade de pegar o personagem de Virigina e chacoalhar o infeliz pra ver se ele acorda e percebe a si mesmo, ainda que seja no espelho, mas acho que eles não se olham no espelho e quando chega ao final das suas seiscentas e poucas páginas, eles ainda estão confusos e tudo que tenho de meu é um sorriso irônico. Virginia não tentou nem de longe ter seu momento Jane Austen porque o que Virginia leva dúzias de linhas para dizer (e o faz com argumentos deliciosos) Jane simplesmente o faz (com argumentos ainda mais deliciosos) em bem menos linhas. Uma fala da confusão dos sentimentos e a outra fala do sabor dos sentimentos. Em tempos diferentes, narram noites e dias de uma vida intima…

A grande diferença talvez seja a loucura.
Virginia precisava respirar após se doar a grandes escritos porque sua mente não suportava a dor que sua escrita lhe causava, então, entre uma genialidade e outra, escrevia coisas mais simples como “noite e dia”. Como se ao fazê-lo, simplesmente se abandonasse as suas próprias margens, respirando lentamente os ares de outono…

Mas me ocorre perguntar “quantos de nós, confusos quanto ao amor, já não ficou a esperar em janelas pela visão que conforta o sentir?” - Ralph Denham (personagem principal de “noite e dia”) teria passado sua vida inteira ali, na janela, a espiar Katharine? As vezes, quando espio o azul do livro, penso que sim e não tenho dúvida alguma quanto a isso.

Só mais uma quinta-feira…

salada tropicalManhã de quinta-feira, sem sol, com sol, sem nuvens, com nuvens, sem vento, com vento, com muitos cheiros, inúmeras palavras e vontade de misturar ingredientes. Estou com fome (isso é raro) mas acho que é mais vontade de ir até a cozinha pegar uma saladeira: cortar alho poro, fatiar a alface americana, picar tomate, cebola, azeitonas, palmito e o cheiro verde. Ralar a cenoura. Juntar a ervilha, o milho e por fim o sal e o azeite… Diz que isso não dá fome. E pra ficar ainda melhor: um jazz e um cálice de vinho…

Manhã de quinta-feira se desfazendo, o meu sótão ganhou este selo da Borboleta e da Long Haired Lady… Eu já deveria tê-lo colocado aqui, mas os dias andam me envolvendo com suas coisas cotidianas, sempre tenho tanto a escrever (eu sei que escrevo posts longos, já ouvi reclamações diversas sobre isso, levanta a mão aí quem pensa que eu ligo pra reclamações – nossa, não estou vendo nenhuma mão levantada – hehehehe) e fico sempre deixando para amanhã e quando é que este bendito amanhã chega? Hoje… Pronto…

Ps. Pra mim, o amanhã é esse terremoto não calculado, indisciplinado que vive dando voltas e voltas no futuro…

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Bem, mas vamos aos rótulos, digo as regras do selinho.

1. Dizer quem te indicou e divulgar o link da pessoa. (feito)
2. Dedicar o selo a 5 seguidores assíduos.
Suzana Martins do Blog Minhas Marés, Lis do Flor de lis, Valéria do Rasuras, Allan do Carta da Itália e Tatiana do When she danced

3. Dedicar a 5 mais novos: minha dúvida, eterna dúvida. O tempo pra mim é uma metáfora. Há pessoas que eu descobri ontem e o tempo não as alcança e há aqueles que eu encontrei há décadas e parece que foi ontem. Sei lá, usei como critério as descobertas mais recentes. Será que serve? Vai ter que servir… 
Eliana do Jardim Cósmico
Cris do Cafofo on line
Keila do Atitude do Pensar
Angela do Alemanha por que não
Suzana do O medo de Suzana ou Contos de Lily

4. Colocar um trecho de música ou citação que seja alegre: fiquei em dúvida mais uma vez (todo o sentimento x fantasia de Chico Buarque), mas como a tarde já está se desenhando lá fora, fico com a primeira:

Depois de te perder / Te encontro, com certeza, / Talvez num tempo da delicadeza, / Onde não diremos nada / Nada aconteceu. / Apenas seguirei / Como encantado ao lado teu.

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Primeiros instantes de uma tarde, e eu fui lá pegar o livro na instante. Quando o outono chega (mesmo sem chegar totalmente) Jane Austen me chama lá da prateleira. É quase uma obrigação ler “Orgulho e Preconceito” e sempre com aquela mesma sensação de primeira vez. Devoro o livro em segundos com a ansiedade típica de quem torce desesperadamente para que Mr. Darcy e Elizabeth fiquem realmente juntos. Eu não assisti ao filme. Não consegui porque depois de assistir a série feita pela BBC de Londres, não dava pra ver outro ator no lugar de Colin Firth que simplesmente vestiu a figura de Mr. Darcy. Ele é simplesmente perfeito. É minha visão de Mr. Darcy e olha que eu nem gosto de coisas perfeitas…