Lá fora…

Drummond disse:
“O outono é uma estação mais da alma que do coração!”

Eu costumo dizer:
O outono é minha licença poética”.

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A paisagem lá de fora…

O dia de hoje me mandou lá pra fora. Há dias que meus pés pedem calçadas, ruas, caminhos de pedras e folhas… Gosto do som dos passos por sobre folhas secas; do sabor dos ventos junto as folhas que são lançadas ao ar num vôo sereno e breve… O sol brilha no alto céu, por entre as nuvens, iluminando o verde das montanhas…

O que me leva a entender que não importa o que diz o calendário, para os meus olhos, corpo e alma é Outono por aqui e de certo é outono em algum outro lugar também…

Houve uma época em minha vida que eu simplesmente decidi ignorar os anos, os dias, as estações, as fases da lua… Afinal, porque tenho que limitar minha existência aos ritmos impostos por esses tolos humanos que vivem se impondo regras, rótulos e formas estúpidas de rotina…

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Sensações de outono pelo caminho…

Desde então sou mais feliz (muito mais) porque com isso, descobri minhas próprias estações, fases, dias, horas. Sei do sol e sua marcha pelo céu; sei da lua e sua luz que desaparece nas noites mais escuras e mesmo assim continua lá, envolta por suas próprias sombras, feito eu que as vezes me ausento, fujo e me escondo dentro dessas paredes que nem sempre tem janelas e portas… Sei também das folhas secas, verdes, das flores amarelas, vermelhas e principalmente das azuis. Adoro chá de flores azuis. Já experimentou? Sei também dos dias alaranjados e dos dias cinzas que tanto amo, as vezes esses dias (cinzas) se ocupa de dias inteiros, numa sequencia poética que permite a existência das poças pelo caminho…

Eu sou isso que vês: uma menina no sótão que gosta de espiar a dança que acontece do lado de fora da pele…

 

Eclipse Lunar

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Território vazio: havia uma névoa, fumaça escura. Uma sombra cobrindo a figura da lua… E eu que tanto gosto de sombras, fiquei junto a janela a ocupar-me desse “leste”.

A noite

Pouco sei da noite
mas a noite parece saber de mim,
e para mais, conforta-me como se me desejasse,
cobre-me a consciência com as suas estrelas.

Talvez a noite seja a vida e o sol a morte.
Provavelmente a noite é nada
e nada as conjecturas sobre ela
e nada os seres que a vivem.
Talvez as palavras sejam tudo o que existe
no enorme vazio dos séculos
que nos arranham a alma com as suas recordações.

Mas a noite há-de conhecer a miséria
que bebe do nosso sangue e das nossas ideias.
Ela há-de atirar ódio às nossas observações
sabendo-as cheias de interesses, de desencontros.

Mas sucede que ouço a noite chorar nos meus ossos.
A sua lágrima imensa delira
e grita que algo partiu para sempre.

Um dia voltaremos a ser.

Alejandra Pizarnik, in Las Aventuras Perdidas (1958)

Maio…

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Não sei dizer a razão, mas adoro o mês de maio e espero por ele no calendário como não o faço com tantos outros. Eu sei que cada mês tem a sua cor, o seu temperamento e as suas ocasiões. Mas, maio oferece pra mim bem mais que um punhado de dias e semanas. A flor de maio se abre em suas cores sóbrias, e se penduram diante do meu olhar como se fossem estrelas a cair do alto céu que em maio fica muito mais interessante…

Esse ano começou com chuva e eu fui para a cozinha preparar arroz com legumes. Misturei tudo (cenoura, cebola, vagem, milho, alho e ervilha). O dia de hoje mostrou-se mais ameno. Eu sei que há pressas lá fora, mas em maio, eu fico aqui dentro e não me refiro apenas ao sótão, mas a mim mesma. Bem dentro. Com as palavras servindo de ninho e as lembranças de almofadas…

Mas, para a maioria, o mês de Maio é o mês dos casamentos que tem esse nome graças a Deusa Maia, uma das Sete irmãs Gregas (A Plêiades) e mãe de Hermes. A Lenda nos conta que o próprio Hermes deu a esse mês o nome de sua mãe: Maia Majestas, Deusa da Primavera. Um dos outros nomes de Maio é La Beltaine, que deriva do elemento Fogo, pois esta relacionada à divindade solar Beli, Belinus e Balder.

Beltane é a sexta estação do ano, da união mística.
Uma tradição antiga nos conta que maio é o mês do surgimento da Deusa Mãe na Terra, seja na forma das Deusas pagãs, de Maria (mãe de Cristo) e de várias outras Senhoras da Criação de tantas outras crenças (egípcias, gregas, etc..)…

E hoje muda a lua.
Fase Nova nos céus. Ainda não dá pra vê-la direito, apenas um risco tímido a deixar desenhar-se lá no negro véu. Mas eu sei de sua existência. Sei que a lua é essa regência inconsciente. O porão das nossas idéias e emoções. Ela nos liga ao passado e nos faz perceber quem de fato somos. Um simples satélite natural. Desorientador para uns, impossível para outros.

É no mês de maio que celebramos o Wesak ou Festival de Budha que visa festejar o ápice da Lua Cheia em Touro que esse ano acontecerá no dia 17 de maio – às 17h45m.

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Wesak é quando O Senhor Gautama (Budha) e a Lua emanam as suas máximas manifestações de Luz para a Terra e para toda a humanidade. Junto com este acontecimento, um grande alinhamento acontece entre o Sol, a Terra, a Lua, as constelações como as Plêiades, Ursa Maior e Touro. Em diferentes locais no mundo todo, simultaneamente: Mestres, discípulos e pessoas de boa-vontade se reúnem para celebrar este maravilhoso festival.

O Wesak é um período de grande oportunidade espiritual para os seres humanos, excelente para a interiorização da consciência, para meditação e reflexão, para a realização de invocações da Luz Espiritual, e para fortalecer a Chama Divina que vibra em nosso interior.

Calendário Lunar de maio de 2011

Lua Nova (terça-feira) 03/05 – 3h52
Signo da Lua. Touro

Lua Crescente (terça-feira) 10/05 – 17h34
Signo da Lua. Leão

Lua Cheia (terça-feira) 17/05 – 8h10
Signo da Lua. Sagitário às 14h24

Lua Minguante (terça-feira) 24/05 – 15h53
Signo da Lua. Peixes às 9h25

Lua Negra (quinta-feira) 28/05 – 20h08
Signo da Lua. Aries

Desejo a todos vocês um mês com muitas inspirações.
bacio

Lua Cheia…

Loucas Noites (Wild Nights)
Emily Dickinson

A Natureza é a mais elevada das artes.
      Ver o céu de verão já é poesia.
           Viver é tão surpreendente que deixa pouco espaço para outras ocupações.

            Se leio um livro e ele me deixa o corpo inteiro tão gelado que não há fogo que possa me aquecer, sei que isso é poesia. Se sinto, fisicamente, como se o topo da minha cabeça fosse arrancado, sei que isso é poesia. São essas as minhas únicas maneiras de saber. Haverá alguma outra? [Emily]

120420111299(rascunho de uma segunda-feira: há um poema nascendo em mim)

O desenho da Lua se ampliou no céu de Abril. Não sei a razão, mas as flores de maio floresceram em Abril. O sol anda caramelando a paisagem e o outono anda cultivando ausências. As brancas nuvens não vestem a paisagem e o calor se espalha pelos cantos da minha existência… Ao menos tenho os livros e a poesia que povoa suas páginas.

Notas da Lua Cheia.
- Dona Borboleta, lembra-se da embriaguez de minha solidão? Aquela melancólica da qual falei? Pois bem, ela permanece, mas já tem nome, cores, perfumes e ando conversando com ela. A loucura já se estabeleceu…

- Su, caríssima: fiquei feliz com seu e-mail no começo da noite de ontem. Saber de suas poesias em série me fez caminhar pela casa em busca de uma taça de vinho com um sorriso de orelhas nos lábios…

- A todos que aqui chegam: o incenso de ervas foi aceso a meia noite. As velas de cores distintas (verde, vermelha, azul e amarelo) foram acesas pouco depois. O sino soou gentilmente anunciando que era noite de Lua Cheia. Em minhas mãos, o athame “rasgou” o véu da noite e o caldeirão ganhou chamas sob as bênçãos da Lua que estava linda  no negro véu: as vezes por entre as nuvens. As vezes em meio as folhas, telhados e antenas. O vento norte soprou sua magia e eu invoquei a presença da Sagrada Magia Natural. Bebi o licor da vida, silenciei todas as palavras para ouvir apenas a batida do meu coração e ao fazê-lo lembrei-me de versos antigos que ouço e repito desde a infância.

Que a estrada se abra à sua frente,
Que o vento sopre levemente em suas costas,
Que o sol brilhe morno e suave em sua face,
Que a chuva caia de mansinho em seus campos,
E, até que nos encontremos, de novo…
Que Deus lhe guarde nas palmas de suas mãos
!

Que a magia da Lua Cheia se manifeste em todos nós hoje e sempre.
Boa semana a todos.

 

Lua da Lebre

Qualquer coisa inacabada,
uma linguagem liquida
colorida durante a noite.

Antônio Quadros Ferro

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Começo de noite, das sombras…
O céu continua encoberto; aqui dentro as sensações se renovam, os sentimentos perfumam a alma que parece flutuar pela paisagem noturna que celebra o que não pode ser visto, apenas sentido. Gosto da Lua Nova (que começou no domingo) porque a escuridão é o meu lar. Não temo a noite e seus mistérios, da mesma forma que não temo a morte.

Eu costumo dizer que morro milhares de vezes num só dia para renascer no momento seguinte. Então acendo um incenso, velas coloridas (que ainda causam espanto naqueles que acreditam que o vermelho, o preto, o amarelo e tantas outras cores tem um só destino: os demônios que algum insano inventou por aí)… Pra mim o amarelo é sabedoria que eu tanto busco, o vermelho a paixão que me move, o preto é a representação das trevas que envolvem a noite e a morte…

Gosto desse instante em que observo o horizonte de minha janela e nada vejo, a não ser a negritude que esconde casas, montanhas e tantas outras paisagens mais.

Aprendi no templo da infância, que as luas tem suas fases, cada qual com a duração de 28 dias e algumas horas e elas comandam ciclos subdivididos em cinco fases (nova, crescente, cheia, minguante e negra) sendo que três delas fases formam uma trindade: minguante, negra e nova. Elas se unem num só movimento: o fim, o desfecho, a morte, as trevas para então ocorrer o renascimento, a renovação, a continuidade. A força tripla de todas as energias. Os mistérios mais simples e os mais complexos se unem nessa espécie de pulsação do universo…

E ficamos até tarde.
Reconheço que era tua afinal a presença
e que me resta pagar as despedidas.
Pedir mais um pouco de mim.
E envelhecer mais uma década.

Antônio Quadros Ferro

A lua de abril é lua da lebre também conhecida por Lua Alegre ou Dyad, Lua Brilhante, Lua Flor, Lua do Retorno dos Sapos, Thrimilcmonath (Mês do Leite Triplo), Repolho, Winnemanoth (Mês da Alegria), Lua do Plantio. Sua cor é o rosa, sua direção é o leste porque é a lua do despertar da consciência. É a lua do romance que se apresenta ao coração dos homens. Seu som é pulsar do coração, seu elemento é o Ar que leva para dentro de nós as ilusões tão necessárias pra que o amor seja sentindo de todas as formas possíveis. Essa lua é dedicada a Morringan, Deusa céltica da guerra, do conflito e da Fertilidade.


Notas.
01 –
Uma lenda antiga diz que a cada fase lunar, você deve guardar uma semente com você e quando a última fase começar (lua negra) você deve presentear alguém que você ama verdadeiramente, de forma incondicional. Ali com as sementes vai o seu desejo de continuidade…
02 – Para aqueles que desejam acompanhar as fases da lua do mês de abril, seguem as respectivas datas: Lua Nova – domingo, dia 03 de abril às 11h33mLua Crescente, segunda, dia 11 de abril às 9h06m, Lua Cheia, domingo, dia 17 de abril às 23h45m -  Lua Minguante, domingo, dia 24 de abril às 23h48m e Lua Negra, quarta, dia 27 de abril às 1h59m.
03 – No dia 30 de abril, os pagãos celebram o Festival Celta do fogo “Beltane”, chamado de “”A Noite de Walpuris” na tradição saxã. Na tradição celta, os “fogos de beltane” reverenciavam a abundância da terra fertilizada pelos raios solares. Era comemorado com fogueiras, danças, músicas e a encenação do “Casamento Sagrado” da Deusa Terra e do Deus da Vegetação. Na Inglaterra e na Irlanda esse festival ainda é celebrado nos dias atuais. Surgiu daí o costume de pular a fogueira e caminhar por sobre as cinzas. Outra tradição mantida, inclusive no Brasil é o Mastro de Maypole, o tradicional Mastro de fitas.
04 – Antigamente, no último dia do mês eram feitas guirlandas de alecrim e flores vermelhas para serem colocadas atrás da porta da cozinha para atrair boas energias para todos os moradores da casa no demais dias do ano.
05 – Outro costume era recolher as cinzas da fogueira de Beltane para colocar nos sapatos. Acreditava-se que esse gesto trazia proteção para o ano todo.
06 – Algumas tradições no Brasil, invertem a Roda do Ano, celebrando-a de acordo com o hemisfério Sul, assim sendo, festejam Samhain no dia 30 de abril, ou seja, celebram o ano novo pagão.
07 – Os trechos dos poemas contidos nesse post é do livro “um pouco de morte” de Antônio Quadros Ferro. O poema na integra, pode ser lido aqui

Lua Cheia…

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Elegia
Rilke

Por que de estranhas terras eu te acompanho lua solitária
E durmo ouvindo os teus passos de anjo pela noite
Quando os velhos desejos desaparecidos voltam à flor das ondas
E a noite do exílio levanta as suas árvores de sonho,
De um tempo imemorial eu acompanho as tuas viagens,
Tu que vestes os mortos com o que cai do coração dos vivos
Eu te acompanho pelo céu escuro
Sentindo como tua a vertigem da morte que anuncia

Trad.Paulo Plínio Abreu

Velas tremeluzentes indicam as quatro direções. Ao centro uma chama contínua que representa a vida em todas as suas formas. Se fechar os olhos, pode se ouvir um coração pulsando ali… Cada um dos elementos completam o círculo: terra, fogo, água e ar. Os passos seguem no sentido horário e os primeiros sinais de dança são do vento que se manifesta no alto das folhas. A Lua plena de luz atinge o ponto máximo do céu noturno. Nuvens não impedem seu brilho… Diziam que iria chover, mas a chuva não se manifesta durante os minutos em que o cálice é erguido e seu líquido consagrado em nomes das forças naturais. Enquanto isso o incenso perfuma o ar numa espécie de saudação aos antigos espíritos que sempre são invocados por aquelas mulheres de aparência humana. Nada ali se assemelha aos mitos da Disney e tão pouco aos preceitos erguidos ao longo dos tempos pelos padres cristãos.

Tudo é intenso. A energia que é invocada na palavra daquelas mulheres que se despem, deixando a mostra a pele, os sentimentos, as verdades pessoais, as crenças cotidianas. Não há nada de demoníaco. Há apenas um canto sendo repetido como mantra de forma incansável “ela está em tudo, ela a tudo cobre” e por fim o licor é passado de mãos em mãos e um grito surge ao longe: uma coruja. Sinal de que a natureza está satisfeita. Elas dizem que a magia se manifesta da forma mais simples possível. Então um simples vento é visto com uma mensagem dos Deuses. E para que questionar essas verdades?

Hoje é quarta-feira, lua cheia, período da plenitude, da maré cheia de poder, quando a senhora com seu círculo completo e iluminado atravessa o céu, desfilando seu encanto sobre os humanos que ainda encontram tempo para olhar as estrelas. É a época das frutas, da maçã cheia de amor, da colheita. É o auge dos desejos, das vontades da pele, da alma e da mente. Na lua cheia a pergunta a ser feita é “você já colheu o que plantou?” e a resposta vem apenas com um aceno – enquanto um pequeno objeto é atirado as chamas que ardem e celebra junto com você a sua conquista.

lua que ilumina as trevas,
feminino a vagar no negro véu,
bailarina de campos e oceanos.
Senhora da magia, menina das primeiras horas.
Tu fazes transbordar a maré dos amores.
Tu fazes a verdade ser prece que se entoa ao cair da noite
Tu que foste menina e hoje é mulher, mas não se esquece
dos primeiros passos, das primeiras vontades, dos primeiros desejos
Porque tu és um ciclo que se completa ao longo das estações
Eu te celebro grande Dama das trevas”

 

Nota. Ainda hoje muitos rituais (inclusive os da lua cheia) são praticados em segredo, embora atualmente muitos sejam feitos ao ar livre em praças e parques das principais cidades do mundo. A maioria destes pertencem a uma nova ordem, conhecida com o wicca que não é uma religião antiga, muito pelo contrário, ela se fundamenta no paganismo, mas sua existência data de meados de 1950 e é atribuída a Gerald Gardner.

Nota. 2 Acredita-se que o paganismo tenha surgido no exato momento em que o homem descobriu a agricultura, uma vez que a maioria dos rituais pagãos são festivais agrícolas, onde se celebra as sementes, o plantio, a colheita e a própria terra que é considerada o grande útero, de onde tudo provém. Nesses rituais também são celebrados os quatro elementos naturais e as quatro direções do planeta: norte, sul, leste e oeste.

Nota. 3 Ser pagão significa estar em contato com a natureza, respeitando seus ciclos, seus movimentos e interagindo com ela de maneira racional. Ao contrário do que continua sendo dito pela Igreja Católica – não basta não ser cristão para ser um pagão.  Se você apenas não acredita no Deus cristão e em toda a legião de santos que provêm dessa ideologia religiosa, significa que talvez você seja ateu, mas não pagão. Porque para ser pagão é preciso estudo, dedicação e respeito acima de tudo com as leis naturais do paganismo que expõe aos seus praticantes a lei do retorno “não faça ao outro o que não gostaria que fizessem a você”.

“Ao homem é dado o direito de escolha, mas há tempos criaram um deus e um demônio, todos filho do mesmo homem que semeou sua verdade; colhida por muitos, mas não por mim.  A minha verdade segue em meu coração e sempre que olho pra frente sinto sua chama arder em meu peito. Sei do sol durante os dias e da lua durantes as noites. Ouço o canto dos pássaros, o pio das corujas, sinto a força das águas e do sabor de cada uma das estações. Essa é minha prece, minha lei, minha verdade e é ela que eu ensino aos que vierem depois de mim. Se também será a verdade deles, não há como saber, porque eles são livres para caminhar tanto quanto eu.”. Trecho de “O caminho do mago”

Under a violet moon

Under a Violet Moon – Black more nights

 

Caem as folhas de repente, brotam outras pelos ramos, murcham flores, surgem pomos e a planta volta à semente. Assim somos.Sutilmente, diferimos do que fomos. Impossível transmitir, por secreto e singular, o acrescentar e perder desse crescer que é mudar . [Helena Kolody ]

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Lua a vagar no negro véu numa caminhada de tímido sentir. A noite exalava sons de antigamente e canções que eu conheço e nem sei dizer como. O eclipse total começou a se desenhar por volta das quatro e pouco da manhã e eram quase seis horas quando a Lua estava plenamente encoberta. Um espetáculo para os olhos e para a alma…

Dizem os antigos que a Lua quando ocorre junto ou próximo aos Solstícios é sinal de renovação das energias humanas e naturais. É um bom presságio e como estava bela aquela figura prateada… As nuvens, resquícios de uma tempestade que caiu sobre a cidade contribuíram com o espetáculo ao encobrir sua luz que fugia por pequenos espaços criando formas aleatórias que iludiam os mais atentos…

Hoje é dia de festa para aqueles que como eu celebram a natureza. De um lado é Inverno e do outro é verão. Yule para uns. Litha para outros. Não importa qual seja o seu canto, importa apenas que a Natureza se manifesta e nós somos parte disso tudo, como um todo que se regenera com o passar do dias.

Sim, para meus olhos hoje é dia de começar a contar as lunações que são os períodos completos das Luas que totalizam 13 – sendo essa a Lua do Lobo que nos pede reflexão antes de dar passos rumo ao destino que desenhamos a partir daquilo que somos. Não sabe o que você é? Sempre é tempo de descobrir, mas pense bem e não se perca em preceitos, preconceitos e discursos prontos. Invente-se a partir de seus escombros e não sofra por ser diferente porque definitivamente em algum momento você acaba descobrindo que é muito chato ser igual a todo mundo…

Tenha tempos felizes e não importa qual o seu credo, a sua cor, o seu manifesto, a sua vontade ou o seu desejo. Importa que sejamos originais.

Namastê