Dia 29 de novembro (2011)

Foto0642Passa da meia noite… Aconteceu e pronto. Tantas palavras. Tantos sons. Tantas lembranças. O olhar se perde pela janela da minha história e eu vou revendo coisas que são só minhas (as vezes eu divido um pouquinho) mas é tão pouco perto de tudo que tenho neste baú chamado “cuore” (coração – já disse que não gosto do som da palavra em português. É vaga. Vazia. Pálida).

Enfim, eu nasci para esse mundo, esse tempo, essa era a meia noite e um do dia 29 de novembro – chovia (segundo o que me disseram) falta-me a consciência acerca desse momento (risos). Sagitariana, lua em sagitário. Ascendente em peixes.

Escolhi uma vela laranja para acender (eu não apago velas) e mais tarde vou atrás de um galho de árvore para juntar a coleção. Porque eu aprendi com meus ancestrais a não contar o tempo e sim unir as lembrança através de galhos…

Enfim, para fechar esse ciclo, a querida Luciana Nepomuceno me brindou com suas palavras. Ela e o seu tempo. Ela e um pouco de mim…

bancodeoutonoA humanidade sonha: viajar no tempo. Digo eu: é fácil viajar no tempo, só é preciso uma noite de estrelas e que uma pessoa se ponha a mirar o firmamento. Eu. Ou você. Pronto. Os pontos de luz ali que chegam à nossa retina surgiram há milhares de anos. É isso, vemos e vivemos, no instante em que recebemos estrelas nos olhos, um evento que aconteceu há séculos. O tempo, o aprisionamos nos olhos ao bem abri-los. O tempo nos aprisiona em seu mistério ao bem fechá-los. Porque quando os fechamos para melhor sentir uma carícia, uma saudade, um doer, queremos nos colocar fora dele – tempo- mas é justo aí que ele opera, passa sem o sabermos e logo há histórias demais em nossa pele.

O momento – aparentemente tão trivial – em que abrimos ou fechamos os olhos ante as estrelas, quando refletido, dá-nos a noção do quão frágil é nosso próprio tempo. Finitude. Somos transitórios, é o que o tempo nos diz e, ao dizê-lo em estrelas que deixam de existir quando ainda as vemos, aprendemos o espaço. Aprendemos assim: somo pequenos. Não compreendemos – nem por entender, nem por abarcar – isso tudo que se chama vida. Ou morte. E que dizemos Universo porque certos nomes, mesmo sendo certos, são por demais assustadores.

Então, fantasias para uns – para todas as perguntas, uma resposta: o eterno. E aceitação para outros – para todos os eternos, uma pergunta. Quando aqui cheguei, neste sótão, logo entendi que a Lu era uma temerária. Eu sou. Fiquei imaginando que, tal como Mário Lago, ela fez um acordo com o tempo. Um assim: belezas em dias.

É na beleza deste intervalo que a gente se permite: sim, sou finita, mas não, ainda não o fim – que a vida se sabe mais. O conforto de se permitir generosidade no olhar que voltamos ao passado: poder deixar o que precisa ser lembrança; trazer, na mala do pensar, os amigos, os saberes, as cores e texturas do que nos fez ser um hoje. A alegria de aceitar não saber o futuro, ir pelo prazer do mover-se, caminho que é passo e encontros. Não temer a carne. Contar o tempo em xícaras de chá, folhas que se amarelam – nas árvores e nas mãos, em beijos, em sabores na ponta da língua. Deixar que seja o corpo o que ele se encaminha pra ser e rir-se em rugas nos cantos dos olhos como se dissesse: o seu tempo é o meu. O meu tempo sou eu.

Então, abro os olhos e vejo estrelas que me contam a alegria de estarem, também, na mira do olho da Lu. E celebro o tempo de sabermos, as duas, que não se precisa entender a beleza da amizade, mas vive-la.

Luciana Nepomuceno

Do zero ao infinito…

Contando. Faltam 02 dias…

Lu 25Acordei normalmente, me sentindo normal (risos). Igual a quando completei doze anos. A casa estava vazia naquele dia e eu saí de meia pela casa, ainda sonolenta. Encontrei todo mundo na cozinha com um bolo de chocolate, recheio de doce de leite e cobertura de chocolate e granulados. O meu favorito, é claro. Me mandaram acender a vela, contar até três e fazer um pedido com os olhos fechados. Me deram o maior pedaço (obvio, já que eu era a aniversariante).

O bom de quando se completa doze anos é que o futuro não passa de amanhã. É logo ali. Daqui a pouco. Eu pensava no próximo pedaço do bolo, do cheiro da terra molhada no final da tarde e nos versos junto à janela no começo da noite. Tudo muito simples e gostoso. Tão próximo…

Mas os dias foram passando e a idéia de futuro passa a ser uma ciência bastante estranha, de repente vem alguém e te pergunta “o que você vai ser quando crescer?” – “Poxa. Como assim?” Eu estava crescendo desde sempre… (risos) E as escolhas começam a serem feitas e o mundo vai perdendo a graça e a sua simplicidade.

Enfim, eu fiz muitas escolhas. Confesso que me arrependo de algumas delas. Mas não acordo pensando em fazer diferente do que fiz se me fosse dado o direito de voltar no tempo e fazer tudo de novo. Aliás, eu não penso esse tipo de coisa. Eu penso que tudo me trouxe até aqui e com certeza isso me faz bem. Sou feliz, viu?

Enfim, o dia por aqui veste cinza e minhas janelas estão molhadas. Tudo está lento e preguiçoso como num dia de outono. Foi assim há vinte e poucos anos e acho que será sempre assim (faço minhas preces para que de fato seja). É claro que algumas coisas estão diferentes: algumas pessoas se perderam, outras se acharam e a vida segue por suas finas linhas…

“Do zero ao infinito eu vou caminhar sem parar. Mas ao mesmo tempo tudo é tão fugaz. Eu sempre fui e imediatamente não era mais. O dia corre lá fora a toa e há abismos de silencio em mim”. Clarice Lispector

Trecho do “Diário das Estações” – Volume Noturno (2011)

O tempo da uma “Tempestade”…

O sol invadiu a tarde, mas trouxe promessas de chuvas nas curvas do dia. Trouxe seu belo punhado de nuvens. E trouxe as palavras dessa “pessoa”: uma tempestade.

Se não fosse minha paixão pelas “Tempestades” – meus olhos agora nada saberiam de chuva. Melhor assim, não é mesmo?

E seguem as comemorações de novembro…
Contando comigo: faltam 05 dias!!!

Foto0218Lunna,

Não, eu não sei contar como se conta pelo calendário, mas sei contar alegrias, lágrimas que pendem, abraços dados, palavras soltas, letras que se perdem no infinito de nossas almas.

Não sei contar várias coisas, mas sei contar pelo menos uma, e essa uma é importante: sei contar da amizade.

Ah, a amizade, um sentimento sem precedentes, gratuito e forte, e foi assim nessa montanha-russa da vida, que encontrei Lunna em meio a um sofrimento por conta do Patrick, e desde então, eu aqui, ela ali, eu lá, ela cá.

Desenhos de uma relação de sorrisos de orelhas, trocas de letras, sentimentos em palavras, abraços e afagos, e sem esquecer das gargalhadas contagiosas. É assim que vejo, que sinto, essa menina quase mulher, essa “pessoa” canina, essa alma iluminada pela bondade e verdade.

Ah, sei contar também, que Novembro floresce inteiramente pra ela, para celebrar mais um ciclo nessa vida terrena, repleta de desenhos, letras, cores, sons, sabores e aromas de chá no fim da tarde. Silêncio que recolhe, afaga e transmuta.

E então celebro com você Lunna e com todos que lhe são caros, esse mês e mais uma data especial que se desenha e vem saudar e te brindar mais uma vez.

Que seu riso nunca cesse, que os aromas e sabores sempre te acompanhem, e que a vivacidade de seus olhos jamais se apague.

Um ótimo aniversário é o que lhe desejo e que tudo seja sempre colorido!

Beijos grandes,

Tempestade

Em Novembro de 2011

Tarde ensolarada na capital das Gerais e canto de pássaros que revoam…

O tempo nosso de cada dia

É novembro. E os carrilhões ressoam suas ilusões lá fora. As ruas estão adormecidas. Nem é dia ainda. Talvez seja pra você, mas não pra mim. Eu sigo celebrando. Acendendo uma vela por dia. E hoje o tempo é dela…

tempo perdido

Queria voltar no tempo e fazer diferente,
aprender a te gostar com calma,
aceitar seu jeito horrível de bajular
toda menininha que te diz oi.  (…)
Karla Tabalipa

A gente nasce e já começa a contagem regressiva.
Tem o tempo para ser dado o primeiro sorriso, o primeiro passo, a primeira palavra. Nem nos damos conta do que somos e já corremos contra ele, o tempo.
Os dias passam, e vamos crescendo evoluindo.
O corpo vai se formando, vamos construindo nossa anatomia, primeiro os hormônios comandam, depois o cérebro toma conta da situação, pelo menos para alguns.
Medimos a passagem deste tempo enumerando os anos que passam. Mas dentro de nós somos sempre a menina que sonha e a jovem que deseja.
Sonhei com os 5 anos para poder usar roupas coloridas, até então só vestia azul e branco. Queria chegar aos 7 por ser a idade da razão, mas perdi meu pai ao completa-la. Planejei os 15 anos para poder ir a festas, para vestir meu primeiro vestido de princesa. Ansiava pelos 18 anos para poder fumar e beber, e não fiz nada disso. Comemorei os 30 anos pensando que a partir dai minha vida seria configurada e nada mudou. Nunca pensei nos 40, mas foi ali que tudo começou! Hoje nem quero contabilizar quanto tempo já passou desde que minha mãe foi para maternidade!
Muitas vezes pensamos não ter tempo para realizar nossos sonhos  por que estamos ficando mais velhos mas aprendi com um filme bobo a contrariar esta máxima: “Não há um limite de tempo, comece quando quiser. Você pode mudar ou não. Não há regras. Podemos fazer o melhor ou o pior.”

Por Maggie May

A voz do tempo

Então é mais ou menos assim. Preste bem atenção porque eu só vou falar uma vez. O assunto é danado. Fale baixo para não assustar ninguém. É sobre o tempo. Tic tac. Tic tac.

tempo suspensoEu gosto da voz do tempo. E você? Eu sei que tem gente que não gosta. Na verdade não suporta… Mas eu gosto. Me lembra coisa da infância. Dias de carrilhão na noite. Uma dança. A atmosfera inteira participava daquele côro noturno. Eu ainda ouço o som em minha mente. Demmmmmmmmmmm Demmmmmmmmmm – a casa inteira cantava com ele. Eu escondia a cabeça embaixo do edredom. Mas não era só eu a fazer isso não. Descobri isso numa dessas conversas de adulto que um dia foram as crianças de ontem. Meninas e meninas que inventavam brincadeiras pelo quintal da casa. Que ouviam as histórias da nona. Que aprendiam coisas sobre cavalos com o nono. Tudo era mágico naquele tempo. Um simples sorriso resolvia qualquer coisa.

Mas sabe o que aconteceu com a gente? Um dia acordamos e lá estavam outros dias com suas horas a mais e nada de faz de conta.

Era uma vez o tempo…
Sim, o tempo. E a pergunta feita antigamente era “o que vai ser quando crescer?” e as respostas variavam: professora, dentista, engenheira, psicóloga… Eu nunca disse que iria ser escritora. Eu nunca me imaginei passar horas sentadas diante da tela num lugar só meu – escrevendo histórias, inventando personagens.

Era uma vez o tempo…
Com seu pretérito, presente e futuro.
Quando eu olho para o ontem, vejo aquela menina de sorriso fácil, com dentes a menos na boca. Ela gosta de soprar pelo espaço entre os dentes e fico me perguntando “o que será que ela acha de mim?” – eu não tive medo da resposta. Até porque ela continua sorrindo…

Era uma vez o tempo…
Quantos anos você tem? Não precisa contar se não quiser. Tem gente que não gosta de contar essas coisas. É como se fosse uma doença fatal. Contagiosa. As vezes eu penso que é medo. Medo mesmo. Aquele que trava tudo. Medo de se acabar. Estranho, não é mesmo? Como eu nunca conto o tempo como se deve. Assim, de hora em hora, de dia em dia, de mês em mês… Ano em ano. Eu não sei nada sobre isso. Tentaram me ensinar uma vez (duas talvez) mas não houve meio de me fazer aprender isso…

Então ontem pela manhã, descobri que eu tenho quase trinta. Sim, três décadas. E sabe o que eu mais gostei nisso tudo? Foi da soma dos meus pretéritos (adoro essa palavra)…

E é justamente para festejar isso, que eu convidei algumas pessoas especiais para (foi quase um desafio) para falar dessa palavra que os homens inventaram e acho que ainda nem sabe bem pra que?

Enfim, uma vez inventada, a palavra deve ser usada (é isso?). risos

tempo, tempo, tempo

E para começar a brincadeira, apresento a vocês, o Tempo de Manuela Barroso – essa amiga portuguesa que surpreende não apenas os meus olhos, mas meus sentidos e minha alma, porque suas palavras (sejam em versos ou em linhas) são um sopro do vento num final de tarde, por entre as montanhas onde meus passos percorrerem trilhas…

 

ESCORRE O TEMPO
Manuela Barroso

Escorre o tempo pelas mãos vazias
No vazio do tempo que corre pelo ar
Escoa-se a vida numa miragem sombria
Como água da gruta, filtrada, fria
À procura de um oásis para repousar.

No tempo do tempo corremos atrás
Perdidos no tempo que também se desfaz
Aturdidos no tempo se vive e se ama
E é com o tempo que a Viagem nos chama!

Fev. 2006

 

TEMPO

Neste ruído silencioso, as horas perfuram o tempo cansado nas horas coladas em meu corpo.
Ninguém irá ouvir este grito de silêncio que morde a alma que já não sente.
Neste declive, escorrego com o tempo de encontro a um precipício vazio…
O dia é a hera que sobe nas horas onde me detenho, me debruço, para de
novo me pendurar nos braços do pensamento.
Os olhos percorrem a liberdade no voo plano das gaivotas indiferentes aos
raios clandestinos do sol, que pousa na copa inconsciente das árvores.
Folhas crestadas choram por uma vida roubada cedo demais.
E num adeus às alturas caem em baloiço no leito do verde-amarelo do
chão.

Agosto. 2011

01 de novembro…

nuvens 48Imagem. Série “nebulosas”…

Então é novembro… (finalmente)
O mês que tem símbolos muitos para mim. Quando eu era pequena eu tinha o costume dizer que o nome desse mês era “novelo”. Não que eu não conseguisse dizer “novembro”. Na verdade eu sempre fui (e sigo sendo) uma pessoa muito sonora, cuja característica principal é decifrar o sentido das palavras que me chegam. Então novembro era o meu novelo onde eu enrolava um bom punhado de linhas coloridas e guardava lá no fundo do meu baú, junto as folhas e galhos recolhidos ao longo dos dias. Ao lado havia sempre um álbum de fotografias…

Novembro durante um bom tempo, para mim foi o “outono” dos meus olhos. Mas mesmo hoje que vivo em um país tropical, o outono não está longe de mim. Ele se desenha lá fora, como se fosse um capricho da natureza apenas para mim. O dia de hoje amanheceu assim: frio, úmido, com sol ameno, silêncio e uma sensação de aconchego. As nuvens escorregavam de um lado para o outro e eu fiquei lá na varanda por um bom tempo a espiar suas ilusões várias. Vi folhas de envelhecido tom sendo carregadas pelo vento. Caminhei por calçadas de árvores desnudas. Meus passos visitaram antigas paisagem. Senti saudades dos dias de antes. Saudades de sorrisos e abraços que permanecem aqui junto a mim… 

Enfim, é novembro…
E hoje é apenas o primeiro dia desse mês que pra mim tem aroma de bolo de baunilha, biscoito de gengibre, macarrão ao pesto, doce de abóbora, bolachas caseiras, chá de cascas de maçã, torta de creme… Tem sons de histórias antigas sendo contadas no começo da noite, quando a escuridão se esparrama pela paisagem e todos se esquecem que há uma cidade inteira do lado de fora de cada porta.

E não por acaso, eu nasci em novembro, em seus últimos dias e às vezes penso que daqui a alguns anos eu vou simplesmente desaparecer em um dia qualquer de novembro. Pode ser, não pode? Claro que pode… Vai ser muito bom simplesmente desaparecer.

Espero que não se importem. Mas as vezes é preciso desaparecer, sem deixar rastro. Se perder. Ser outra ou nada ser. Não dizer adeus, nem mesmo até breve, apenas enfiar as mãos no bolso, enrolar um cachecol no pescoço e sair por aí, sem fugas, nem medos… Apenas ir – sem mapas ou destino atrelados ao passo…

É novembro meus caros e eu vou lá pra fora passear com o meu cão. Enfim, por um dia ou dois é outono aqui em São Paulo. Celebrem comigo, com uma xícara de chá quente ou uma taça de vinho tinto. Não importa.